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Emílio Alves deixa a Odebrecht após 20 anos na administração

O conselho de executivos já pensa em novos nomes para a presidência, como João Cox, Ieda Gomes e Claudia Prado

Quando chegar, nesta sexta-feira (27/4), à Avenida Paralela em Salvador, onde fica o escritório da Odebrecht na capital baiana, o empresário Emílio Alves Odebrecht iniciará uma mudança histórica no conglomerado fundado na mesma cidade, em 1944, por seu pai, Norberto. Após 20 anos à frente do conselho de administração de um dos maiores grupos empresariais do país, Emílio comandará pela última vez uma reunião ordinária do colegiado. A presidência do conselho deixará as mãos da família Odebrecht pela primeira vez.

A saída de Emílio já estava prevista em seu acordo de delação premiada. Mas ele poderia arrastar sua permanência no grupo ainda por bastante tempo sem infringi-lo – a delação permitia a permanência dele por dois anos na Odebrecht.

A surpresa veio, portanto, da decisão do empresário de antecipar o movimento. Foi uma forma de tentar convencer o mercado das boas intenções do grupo para superar a Operação Lava Jato, responsável por colocar a empresa no centro de um dos maiores escândalos de corrupção no mundo.

A despedida de Emílio teve início na quinta (26), num jantar em seu apartamento, no bairro Caminho das Árvores, em Salvador. Ali, num edifício onde moram vários membros da família Odebrecht, o empresário recebeu os atuais conselheiros e alguns executivos do grupo. Fontes ligadas à companhia preocuparam-se em justificar, mesmo sob reserva, o encontro. Segundo pessoas próximas a Emílio (participante do grupo Odebrecht desde 1968), a intenção do empresário não foi festejar, mas agradecer aos integrantes do conselho pelo trabalho feito.

O momento não é dos mais propícios a celebrações. Na quarta, a construtora do grupo deixou de pagar R$ 500 milhões em títulos emitidos no exterior. Em função disso, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s cortou na quinta a nota de crédito global da empresa. O conglomerado negocia com bancos novo empréstimo, de até R$ 2,5 bilhões, para cobrir essa e outras dívidas.

Se não conseguir convencê-los a liberar o dinheiro nos próximos dias, a empreiteira corre o risco de ter de recorrer à recuperação extrajudicial para não quebrar, segundo executivos a par dos números. Por causa dessas negociações, Emílio poderá participar de alguma reunião extraordinária para decidir sobre o tema enquanto o novo conselho não é formado.

Tradição quebrada

A saída de Emílio interrompe uma tradição de décadas na Odebrecht de planejar a sucessão do comando. Antes de substituir o fundador, Norberto Odebrecht, na presidência executiva, em 1991, Emílio ficou quase três anos como vice-presidente.

Em 1998, passou ao comando do conselho de administração, enquanto habilitava Pedro Novis para ocupar seu lugar. O executivo, por sua vez, assumiu a presidência enquanto Marcelo Odebrecht era preparado para ascender ao comando, fato ocorrido em 2008 – delator, Marcelo cumpre prisão domiciliar e está proibido de ter qualquer contato com a empresa.

Forçado pela Lava Jato a dar feição profissional ao conglomerado familiar, Emílio diz desejar agora criar um “dream team” para o conselho de administração. Esse é o termo usado por executivos do grupo na esperança do mercado assim passar a chamá-lo.

O novo colegiado terá nove assentos, sendo seis de conselheiros independentes e três indicados pela família (mas sem relação de parentesco com os Odebrecht).

Alguns nomes estão em negociação avançada. É o caso de João Cox, executivo com passagem pelo conselho da Estácio e atual presidente do colegiado da Tim no Brasil. Ieda Gomes, ex-presidente da Comgás, e a advogada Cláudia Prado também devem compor o grupo.

Apesar das conversas em andamento, até ontem a formação completa dessa equipe não havia sido concluída. O principal nome, para presidência do conselho, ainda é uma incerteza. Ex-presidente do grupo e executivo de longa data da Odebrecht, o advogado Newton de Souza não se tornou delator e é o preferido de Emílio para o posto.

Vida pós-Odebrecht

Quem conhece Emílio, aposta que ele se manterá ocupado na vida pós-Odebrecht. Além de supervisionar os interesses no conglomerado – ele seguirá como importante acionista do grupo – não faltam empreitadas paralelas para tocar.

Em sua fazenda na Bahia, comandada por um dos filhos, cria gado da raça nelore e bichos mais exóticos, como paca, cuja carne vende a restaurantes e comércios especializados. Costuma se vangloriar do negócio, dizendo-se o maior criador do animal no país. Também produz cachaça artesanal – produto com o qual tem o hábito de presentear amigos.

Apesar do escândalo de corrupção, Emílio conseguiu manter sua imagem de pé dentro do grupo. Para muitos, ele segue como uma liderança, mesmo após confessar crimes em sua delação. Procurados, João Cox, Ieda Gomes e Claudia Prado não retornaram.

Fonte: metropoles

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FONTE: PAINEL POLÍTICO

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Publicado por » Danny Bueno

Especializado em Jornalismo Político e Investigativo. Está radicado nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, construiu a carreira trabalhando para sites, jornais e emissoras de TV de Mato Grosso e Rondônia. É assessor de imprensa, é roteirista, produtor de eventos, compositor, editor de conteúdo, relações públicas, analista político e de marketing social. É filiado à ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. (http://portaldosjornalistas.com.br/jornalista/danny-bueno)

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