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LUTA SALARIAL NO RN: O QUE EXPLICA A “VITÓRIA” DA POLÍCIA MILITAR?

Por Erick Guerra – O Caçador

O cenário: a Polícia Militar do Rio Grande do Norte é uma das polícias mais mal pagas do País. A corporação tem o antigo sonho de equiparar o salário inicial do Soldado PM com os proventos iniciais do Agente/Escrivão de Polícia Civil. No Estado governado atualmente pela coalizão PT/ PC do B, o tratamento com as instituições policiais é reprovável e o orçamento da segurança pública sofre cortes milionários sem explicação plausível. E pensar que a Governadora Fátima Bezerra (PT), durante a campanha eleitoral de 2018, prometeu fazer até seguro de vida para os policiais…
Dia 22 de março de 2022, terça-feira, manifestação de Policiais e Bombeiros Militares na frente da Governadoria, em busca de melhorias salariais. Estendido no chão defronte à Sede do Governo está o cadáver do 3º sargento PM Luciel de Lima Rodrigues, falecido de “mal súbito” enquanto aguardava ser recebido pela Governadora. As horas em que a esperou em vão, foram as últimas de sua vida. À sua volta, os colegas inconformados com mais essa perda têm de amargar a continuação do “chá de cadeira” dado pelas autoridades insensíveis. O Sargento Luciel Rodrigues estava de luto pela morte de seu próprio pai, falecido apenas três dias antes, mas viajou da cidade do interior onde servia a população até a Capital do Estado, para pelejar pelo pão de seus filhos. Morreu sem ser recebido por aquela que prometeu falsamente segurar a vida dos policiais. Mas isso não é o pior: no RN, é usual que as viúvas de Policiais demorem meses para receber suas devidas pensões. A família do Sargento Luciel vai esperar muito também. Não há forma boa de se descrever uma tal situação.
Nos meses anteriores, a Polícia Civil havia passado sua própria via crucis com a gestão Lulopetista potiguar, que se nega até a pagar o piso salarial nacional dos professores. O Sindicato dos Policiais Civis é entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), o braço sindical do PT. Por todo o mandato da Governadora petista, seguiu à risca o calendário de protestos determinados pela CUT que, por sua vez, recebeu determinações da Plenária Nacional do Partido dos Trabalhadores (as datas podem ser facilmente conferidas na internet, nos respectivos sites institucionais). Fátima Bezerra deixou de pagar salários, aumentou a alíquota previdenciária descontada nos contracheques, atrasou os pagamentos de diárias operacionais… E o SINPOL pacífico, “dialogando” com a gestão. Mais do que isso: perfilou-se com a CUT na sua “luta” contra o Governo Bolsonaro, seara política que é totalmente desligada dos interesses das polícias.
Quando o Adicional de Tempo de Serviço (ADTS) da PCRN foi retirado por ordem judicial, aí se viu o valor que Fátima Bezerra dá a “quem sempre esteve do lado dela”. O Vice-Governador Antenor Roberto (PC do B) chegou a destratar acintosamente os policiais civis na mesa de negociações. A amizade pessoal da Presidente do SINPOL com a Governadora valeu uma rasteira bem capoeira: depois de desgastante novela, os policiais civis saíram dando graças a Deus por que não tiveram seu salário rebaixado, foi “dado um jeito no ADTS” – mas nada de aumento – a aumentar salários dos Policiais Civis, o Governo PT se negou. Lição: Sindicato que “dialoga” com Governos de Esquerda serve de instrumento político para os patrões, com prejuízo da categoria. O PT nunca dialoga pacificamente quando não está no Poder, é o que salta à vista em qualquer ato da própria CUT.
O Vice-Governador, membro do Partido Comunista, é Procurador do Estado, pertence ao topo salarial do funcionalismo público, e teve aumento nos seus proventos dado por sua própria gestão. O Ministério Público Estadual e o TJRN também tiveram substanciais aumentos. Dinheiro para dar aumentos salariais, o Governo de Fátima Bezerra tem – e teve desde o início, enquanto dava calote no funcionalismo do Poder Executivo.
Diga-se de passagem, o Deputado Coronel Azevedo se dispôs publicamente, através de suas redes sociais, a ajudar os Policiais Civis no pleito da categoria. Contudo, não foi procurado pelos representantes classistas da Polícia Civil.
As Associações de PMs também padecem do grande mal da representação classista, isto é, têm diretorias repletas de pessoas ligadas ao Socialismo e seus Partidos Políticos (PT, PC do B, PSOL, SOLIDARIEDADE, PSB, etc). Isso explica, em parte, a morosidade com que o movimento de equiparação salarial tem sido conduzida pelos próprios PMs. Policial filiado a Partido de Esquerda luta pela Esquerda. Voltemos ao fatídico dia 22 de março, na Governadoria: quando finalmente as autoridades resolveram receber a tropa, ainda teve Diretor de Associação que se passou para elogiar o Governo!
Policial que quiser Diretoria de Associação ou Sindicato lutando DE VERDADE deve deixar claro que não vota em Esquerdista. Aliás, quem não sabe que a Esquerda é inimiga ideológica das Polícias?
A equiparação salarial da PM com a Polícia Civil sempre foi detida com argumento de que o nível do Agente/Escrivão é superior, enquanto o Soldado PM ingressa na carreira em concurso de nível médio. Pois bem… Com visão de futuro, o então Comandante da PMRN Coronel Azevedo conseguiu elevar o nível do concurso para Soldado PM. A semente foi plantada com vistas a destruir o principal argumento contra a equiparação. Com a realização posterior do concurso para Soldado PM cobrando o nível superior, a bandeira salarial já pôde ser levantada. No aludido dia 22 de Março, o Coronel Azevedo já não era mais o Comandante da PMRN mas, sim, Deputado Estadual. Sem dúvidas, também era o Comandante da Manifestação: foi graças à sua liderança que as muitas Associações PMs se uniram e aprestaram-se para mais essa batalha pela dignidade profissional.
Naquela tarde sombria, bate-boca no interior da Governadoria. O Soldado Wendell, célebre pelo codinome “Lagartixa”, desceu a lenha nos representantes de Associações que deixaram os cangas PMs esperando do lado de fora, para lá dentro da ante-sala do Poder “rasgar seda” na frente dos prepostos dessa crudelíssima gestão Lulopetista. Coragem é para a hora da decisão, onde não se pode negar fogo diante do inimigo – ali, Wendell valeu por muitas estrelas, honrou o sacrifício de todos os que aguardavam, pugnou pela doação extrema que fez o Sargento Luciel. O Deputado Coronel Azevedo (PSC), de sua parte, altercou violentamente com o Secretário do Gabinete Civil Raimundo Alves – quase que saem em vias de fato! Coragem é para a hora da decisão. O Governo Lulopetista se acuou… “Eles não aceitam diálogo!” – deve ter se passado na cabeça dos prepostos da Governadora. É que “diálogo” é um termo que na novilíngua dos “companheiros e companheiras” significa “esquerdista enrolar os bestas”, num português “bem dizido”.
Saldo do embate: a equiparação salarial não saiu, mas a PMRN teve um aumento real de 10% e mais a antecipação de um aumento pré-acordado de 4,5% (que entraria em vigor apenas em Novembro, mas será recebido imediatamente). Porém, o Deputado Coronel Azevedo fez questão de deixar claro: “Queremos a equiparação salarial. Não vamos parar por aqui.”
Dinheiro, o Governo de Fátima Bezerra tem. Precisa explicar quais os motivos da vitória da Polícia Militar? Ou os fatos narrados revelam tudo?
É evidente que, tanto o “jeito no ADTS” da PCRN, como o aumento salarial da PMRN precisam do devido trâmite da Assembléia Legislativa do RN, para entrarem em vigor. São cinco etapas (recebimento da Mensagem Governamental, aprovação na CCJ, etc) que devem ocorrer até sua aprovação em votação. Há um prazo máximo para todo o processo até o dia 1º de Abril, data a partir da qual a Lei Eleitoral veda ajustes salariais ao funcionalismo público. Na manhã do dia 23 de Março, quarta-feira, dia seguinte à manifestação dos PMs na Governadoria, o próprio Deputado Coronel Azevedo levou a Mensagem do aumento para a PMRN até a ALERN. Na presente data (25/03), ainda não se tem notícia, na ALERN, da Mensagem Governamental do acordo feito pelo SINPOL com o Governo PT de Fátima Bezerra, feito semanas antes. Se tal Mensagem não chegar ao devido destino até a segunda-feira, 28/03/2022, é bem difícil que tenha condições de ser votada até o dia 1º de Abril, por conta dos ritos processuais. E então? Precisa explicar quais os motivos da vitória da Polícia Militar?
Na próxima terça-feira, 29 de março, os Policiais Penais farão suas reivindicações em protesto campal na frente da Governadoria. A Presidente de seu Sindicato chegou a ser candidata a vereadora pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), base do Governo Fátima Bezerra. Nada do que consigam no “diálogo” vai poder ser votado na ALERN, pois não haverá tempo. E então? Precisa explicar quais os motivos da vitória da Polícia Militar?
Fica o questionamento: o que impede a união de todas as polícias numa frente única CONTRA o descaso do Governo Lulopetista de Fátima Bezerra com a segurança pública e seus operadores? Isso interessa – e muito – aos policiais.

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FONTE: Terra Brasil

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Publicado por » Danny Bueno

Especializado em Jornalismo Político e Investigativo. Está radicado nos Estados de Mato Grosso e Rondônia, construiu a carreira trabalhando para sites, jornais e emissoras de TV de Mato Grosso e Rondônia. É assessor de imprensa, é roteirista, produtor de eventos, compositor, editor de conteúdo, relações públicas, analista político e de marketing social. É filiado à ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. (http://portaldosjornalistas.com.br/jornalista/danny-bueno)

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