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O que causou o desabamento de três prédios no Rio de Janeiro?

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Na noite de quarta-feira, 25, cerca de 20h30, três prédios do centro do Rio Janeiro simplesmente desabaram.

O maior, um prédio de 20 andares chamado Liberdade, foi primeiro a cair e se localizava na rua Treze de Maio. Em seguida, um menor, da rua Manoel de Carvalho, com 10 andares, chamado Colombo, e mais um imóvel pequeno, localizado entre os dois edifícios maiores, com quatro ou cinco andares, também desabaram.

Transeuntes que rodavam pelas ruas próximas relataram o acontecimento como “inacreditável”, e disseram que os prédios pareciam “castelos de areia desmoronando”.

Autoridades policiais já avisaram que é difícil que haja sobreviventes. Uma equipe de busca continua procurando 22 desaparecidos, mas, até agora, foi noticiado apenas que 5 corpos mortos foram retirados do local. Graças ao horário em que o acidente ocorreu, à noite, havia menos pessoas no prédio e as mortes devem ser menores.

A questão que fica é: como três prédios, dois deles enormes, simplesmente desabam? O que poderia ter causado tal fatalidade?

Por enquanto, nada é certo. Uma investigação está sendo conduzida, mas antes que ela termine, não se pode chegar a afirmações conclusivas.

Mas os peritos que estão acompanhando o trabalho dos bombeiros e da Defesa Civil para tentar determinar a causa do desabamento já têm algumas ideias.

Primeiro, eles chutam o que não pode ter causado o acidente. Segundo o especialista em gerenciamento de riscos Moacyr Duarte, a maneira como os prédios desabaram permite descartar algumas possibilidades.

O prédio mais alto, onde começou o desmoramento, ruiu como em uma implosão – isso significa que a estrutura do prédio começou a quebrar de cima para baixo.

A ideia é de que, à medida que os destroços se acumularam, espalharam pelas laterais, e essa pilha de escombros atingiu e acabou derrubando os outros dois prédios vizinhos, num efeito dominó.

Sendo assim, não é possível que o desmoronamento tenha sido a obra de uma explosão. Uma explosão geraria fragmentos. Também, uma explosão de gás, que seria a mais possível, não tem força para abalar dessa maneira as colunas do prédio.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, confirmou que os engenheiros que estiveram no local praticamente descartaram a possibilidade de explosão.

Moacyr também acredita que a instabilidade do terreno seria uma causa pouco provável. Se fosse um colapso vindo do solo, o térreo seria o primeiro a vir a baixo, coisa que não aconteceu, tanto que as pessoas que estavam no térreo conseguiram sair do prédio.

Outra questão que foi descartada pelo presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Manoel Lapa, é em relação à idade do prédio. O engenheiro disse que isso não tem relação com o acidente, pois o prédio pode ser antigo e perfeitamente seguro, citando o exemplo de Paris, onde os edifícios são muito antigos.

O professor de engenharia geotécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maurício Ehrlich, disse que, como foi o prédio maior que iniciou o colapso, e ele já tinha mais de 40 anos e nenhum sinal de deterioração, é improvável que o acidente tenha sido um problema do projeto ou da execução do edifício.

Segundo todos esses especialistas, a maior aposta da causa do desastre é um problema estrutural. Por enquanto, a Defesa Civil da cidade divulgou que trabalha com a hipótese de uma obra que estava sendo feita no prédio mais alto, e que pode ter abalado a estrutura do edifício.

A reforma ocorria no nono andar e tinha começado há dois meses. A TO Brasil, empresa de tecnologia da informação que ocupava seis andares do edifício, é a suposta responsável pela obra. Segundo relatos de testemunhas que não quiserem se identificar, o andar em reforma estava em escombros, sem pilares, nem vigas – parece que até sem paredes.

O Conselho Regional de Engenharia (Crea) do Rio de Janeiro afirmou que o último registro de reformas no prédio é de quase quatro anos atrás, ou seja, se estava havendo uma reforma no nono andar, esta era ilegal.

Muitos especialistas deram declarações na mídia dizendo que essa parece ser a causa mais razoável do acidente. Mesmo que as testemunhas tenham exagerado sobre a situação da reforma, toda construção ou reconstrução em prédio precisa ser bem supervisionada e cuidadosa, porque qualquer erro ao lidar com as estruturas e pilares do prédio pode por o edifício em perigo.

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